TESTE POP

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

 Homenagem 

Dia Nacional da Cultura





 

Cultura manifestação do humano*

 

Cultura não é apenas o que sabemos,

mas o que somos capazes de criar

no passado pela história,

no presente pela nossa inteligência e criatividade

e no futuro pela nossa imaginação.

 

Um ser cultural admite e reivindica que

Compartilhamos essas experiências do ato de viver

que são no seu todo manifestação da vida humana

refletem nossos modelos, formas

nosso construto cotidiano

E a consciência que nos ensina a transformar.

 

É arte, saber, identidade

empatia, resiliência e outricidade.

Da filosofia à ciência,

da música ao teatro

da danças as artes plásticas.

da poesia ao livro escrito.

 

É diálogo entre gerações

e as manifestações sociais existentes

em todos os continentes,

com suas cores, seus sabores.


Cultura é o encontro do humano com a natureza,

da natureza que nos humaniza.

Cultura é implantar sentidos, difundir liberdades,

transformar a vida numa poesia

e a diversidade, nossa maior riqueza.

 

*Paulo Bassani

05/11/2026

 


terça-feira, 3 de novembro de 2026

 POEMA



Mais um novembro a chegar*

 

Dos sonhos que alimentei,
dos passos que percorri,
dos encontros que vivi,
de tantas lições colhidas,
aprendi que pouco sei
diante dos mistérios da vida.

Foi uma jornada atravessada
por sinais, pistas e caminhos,
por vezes lúcidos, por vezes espinhos,
que me fizeram parar, refletir
e buscar, no silêncio 
novos sentidos para seguir.

Quem sabe um dia alcançarei
não aquilo que um dia sonhei,
mas resultado daquilo que, entre erros e acertos,
com minhas escolhas, realizei.

Por caminhos de alegrias e tristezas,
por destinos possíveis caminhei,
E diante dos impossíveis, tentei.
Em cada trajeto deixei
pisadas fortes, marcas sutis,
tantas dúvidas e razões cultivei.

Nem sempre agradei.
Por vezes, recuei, transgredi,
mudei a direção dos meus passos,
mas nunca abandonei o trajeto
com leitura, profundidade e afeto.

Busquei a paz a cada instante,
o encanto de cada espera,
a vida não se entrega por inteiro
a quem pretende dominá-la,
mas se revela a quem aprende a escutá-la.

Atravessei  desertos e desafios,
sem perder a brandura.
Sem renunciar ao diálogo,
à cooperação, e a doçura.

A vida é escola permanente,
aprendizagem que não termina.
Ladeado de encontros e travessias,
somos caminhos em construção,
Da matéria que nos sustenta
e o espírito que nos ilumina,
entre a Terra que nos acolhe
e os mistérios da criação.

Viver é aprender o acontecido,
compreender o que encontramos,
Projetando as marcas do tempo,
reconhecer o florescer da primavera
Mesmo depois de um inverno intenso.

O passado é chão percorrido,
o presente, tempo de semear,
o futuro, estrada desconhecida
que nos convida a caminhar.

Agora, quero ser o roteirista
e o autor da obra que me habita,
reunir os fragmentos da jornada,
dar voz àquilo que não se explica.

Mais um novembro a chegar
carregando perguntas e memórias,
com dúvidas que não me abandonam,
incertezas que caminham comigo
das batalhas travadas em trincheiras esquecidas.

Não trago respostas,
nem busco um final conhecido.
Trago a vontade de seguir aprendendo,
de cuidar da vida e do meu destino.

Se ainda há caminhos a percorrer,
que eu os percorra com sabedoria.
Se ainda há sonhos a realizar,
que não me falte coragem de sonhar
Se ainda há tempo para amar,
que eu não adie a ternura de um dia encontrar.

Depois de tantos anos vividos,
uma verdade aprendi a valorizar
não é somente o caminho que fazemos,
mas o amor que nele deixar.


*Paulo Bassani - 03/11/2026

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 HOMENAGEM



                        A dimensão da eternidade*

 

Nascer, chegar, crescer

Viver, partir

Uma sina da vida.

De humanos e de todos seres vivos.

Hoje, lembrar de que partiu

Lembrar de quem viveu

De quem agregou algo ao mundo.

Deixou sua marca, sua singularidade

E foi dar continuidade em outra dimensão.

Esta é a forma

o destino de todos nós.

Em busca do criador para

continuar o propósito de nossa humanidade.

Sempre apreendendo até os limites da eternidade.

Lembrar de quem conosco conviveu,

ensinou e apreendeu sua melhor forma

Agora lá no alto busca dar continuidade

Num olhar e cuidado permanente a todos nós.

 

*Paulo Bassani

 




quinta-feira, 29 de outubro de 2026

 Homenagem 


Dia Nacional do Livro – 29 de outubro


 


DIA DO LIVRO*


Todo dia é dia de livros

Livros que contam nossa história

Livros que mantém nossa memória,

Livros que retratam a epopeia humana

Das guerras e da paz,

Das tristezas e alegrias

Do desencantamento ao reencantamento.

O livro nos livra da ignorância,

Da insensatez de pensar e dizer coisas desconexas.

O livro nos enaltece, e nos faz crescer,

Junta saber e experiências

Dos tempos antigos ao nosso tempo.

Articula histórias e estórias

Da passagem humana sobre a Terra.

O livro nos articula ao pensamento crítico,

Ao uso do cérebro para o que ele foi criado.

Não há como separar livros de humanidade,

É nesse encontro que me encontro.

Somos esse construto de retratos livrescos

Que aparecem e se estruturam todos os dias,

A cada página escrita a cada página lida.

Nos fazendo conhecer e nos reconhecer

Como espécie human.

 

*Paulo Bassani


 Reunião 

FDL - Fórum Desenvolve Londrina

Quinta-feira,   29 Outubro 2026. 

Na Associação Médica de Londrina, PR

 Horário: 8:00 às 10:00 horas    

Palestra com Hylea Ferraz/Marcos Rambalducci sobre o Marco Zero  de Londrina 

         Das 8:00 às 10:00 horas           




quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 Evento

4º Encontro do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Norte do Paraná da Itaipu/Parquetec

Rolândia, Pr
22/10/2026





segunda-feira, 19 de outubro de 2026

 Reflexões de nosso tempo


                                                                                            Paulo Bassani

Santo Antônio da Platina, Paraná
19/10/2026
 


Construção e desconstrução de visões de mundo*

A estupidez e a alienação caminham juntas! Somente o alienado e o estúpido votam em seu algoz, estimam-no e o mitificam. Tomamos como exemplo a metáfora conhecida da abelha e da mosca. Não precisamos explicar a uma mosca que o mel, como alimento, é muito mais saudável do que as fezes, o rejeito. A abelha sabe disso, a mosca, jamais saberá, pois essa é a sua visão, a sua cosmovisão, que retrata sua forma de se inserir, objetiva e subjetivamente, neste mundo.

Quando sabemos que aquilo que dizemos não corresponde à verdade, revelamos uma forma insuportável de alienação. Ela cega, inviabiliza o diálogo, desconsidera os argumentos e torna invisíveis os fatos, pois suas convicções parecem inabaláveis. Somente suas próprias deduções e certezas são capazes de justificar sua visão de mundo e, de sua existência. Assim, não compreendem, não querem compreender as relações mais profundas que estruturam a sociedade, tampouco o conjunto de interesses que se estabelece entre os donos dos meios de produção e da riqueza e aqueles que possuem, essencialmente, a sua força de trabalho e sua capacidade de luta e de resistência.

Somente ao reiniciarmos esse processo de formação humana poderemos cultivar um espírito verdadeiramente humano e construir um modo de vida mais justo, fraterno, solidário e cooperativo. Esses valores poderão despertar uma consciência crítica e transformadora, capaz de nos mobilizar para superar a tirania, a escuridão, a estupidez e a alienação.

Essa é a recuperação do humano que ainda aguardamos e pela qual trabalhamos. Este é o papel da academia, dos cientistas, tratarem de forma séria, profunda o momento que vivemos, um momento delicado, de decisões, mais que eleitorais, são decisões civilizatórias, por isso unir forças intelectuais e pragmáticas de jovens e adultos, numa luta de resistência para estabelecer esse salto qualitativo, tão urgente e necessário, para as questões elementares da vida nesse mundo. 

Estamos conscientes de que nos territórios de vida nasce a consciência crítica de onde emerge a prática social transformadora. Isso ocorre na defesa do patrimônio ambiental, na organização comunitária, na economia circular e sustentável na geração de emprego e renda e na construção das inúmeras alternativas econômicas e sociais  comprometidas com o bem comum.

Para tanto, nessa caminhada, educamos, conscientizamos e buscamos construir caminhos de lucidez, clareza e criticidade.  Temos a capacidade de entender a caminhada humana na construção de civilizações que possam garantir a vida plena das pessoas em seus territórios, em seus países, preservando o que há de mais belo que é a cooperação, a solidariedade  entre os indivíduos, garantindo respeito a toda diversidade cultural, étnica, sexual e religiosa. Associado a estas questões temos a compreensão da finitude e limitações planetárias, por isso que, recuperar, preservar, cuidar e educar para e com a natureza torna-se fundamental em nosso tempo. Necessitamos garantir as conquistas sociais, econômicas, ambientais e culturais. Necessitamos de um discurso que alimenta os sonhos, mas também um discurso racional como resposta as demandas diretas  do cotidiano de vida. É assim que a emancipação  de um povo democrático nasce, substituindo uma consciência subordinada por uma capacidade de pensar, argumentar decidir e agir de forma autônoma.

Seguimos nessa direção para que essa transformação possa, enfim, se tornar realidade no horizonte de nossas possibilidades. Mantemos essa convicção, entendendo,   mesmo que tardiamente, esse dia chegará. Afinal, educar, conscientizar é também semear a esperança de que outro mundo é possível.

*Paulo Bassani é cientista social





segunda-feira, 5 de outubro de 2026

 Reflexões de nosso tempo



UM LAMENTO PROFUNDO*


Diante da insensatez, da estupidez,
Diante da mentira, da falsidade
Diante dos interesses, da covardia.
Diante da alienação, a mentira.

Nesse momento o silêncio
Resta um olhar aprofundado
De um caminho mal traçado.
Um lamento profundo, ausência de mundo.

Para que o amanhã não se apague,
Na versão que se apresenta
Ao mercantilizar a vida e natureza
Pátria e riqueza
Em tristeza, escuridão e desigualdade.

Hoje reflexão aguçada, sentimento apurado
Olhos arregalados, coração palpitante
Pensamento, estratégia e passos.
Fortaleza, sorrisos e abraços.
Para rever a caminhada e os traçados.

Consciência, transformação e claridade.
De um amanhã indefinido, mas possível
Numa condição humana bravia, sem covardia
Com diálogos fecundos para imaginamos o realizável.

Lá no horizonte nos aguarda
Os sonhos, o sol e o amanhã radiante
Esperanças que não se apagam
De um claro caminho instigante.

Assim perceber com clareza e atenção
A força de nossas mentes e de nossos passos
E não sermos apenas platéia
Onde a luta, não morre e não se apaga
E renasce a cada dia como escrita de nossa história.

*Paulo Bassani

domingo, 4 de outubro de 2026

 Reflexões de nosso tempo

         


                                                Paulo Bassani é cientista social





sexta-feira, 18 de setembro de 2026

 Ensaio 



   ESPAÇO ABERTO

FOLHA DE LONDRINA

Abraço do Lago Igapó: um gesto de paz e compromisso com a cidade*

O abraço pode dizer, silenciosamente: esta cidade é nossa, e o cuidado com ela também é responsabilidade nossa

O abraço do Lago Igapó, previsto para o dia 27 de setembro, em Londrina, pode ser compreendido para além de uma manifestação simbólica de carinho por um dos espaços mais conhecidos da cidade. O abraço coletivo, quando associado à consciência ambiental, transforma-se em um gesto público de pertencimento, paz e responsabilidade compartilhada. Não se trata apenas de circundar um lago, mas de reconhecer que a cidade também se constitui pelos lugares naturais que acolhe, protege e transmite a todos e às futuras gerações.

O Lago Igapó é parte de um conjunto de paisagens que conferem identidade a Londrina. Seus lagos, córregos, fundos de vale, áreas verdes e nascentes não são meros intervalos na urbanização. São componentes de uma infra-instrutura ecológica que contribui para a regulação climática, a drenagem, a biodiversidade, a paisagem e a qualidade de vida. Preservá-los significa cuidar das condições materiais e simbólicas que tornam a cidade habitável, com qualidade de vida.

Em um tempo marcado por conflitos, intolerâncias, disputas e formas diversas de violência, um abraço coletivo pode assumir uma dimensão política no sentido mais amplo e nobre da palavra: a construção da convivência, da tolerância e o cuidado com a vida. A paz, nessa perspectiva, não deve ser entendida apenas como ausência de conflitos. Ela também se expressa na capacidade de uma comunidade dialogar, cooperar e construir compromissos em torno dos bens que pertencem a todos. O lago, a água, as árvores, os pássaros, os córregos e os fundos de vale tornam-se, assim, elementos de uma convivência que ultrapassa os interesses individuais. O abraço pode dizer, silenciosamente: esta cidade é nossa, e o cuidado com ela também é responsabilidade nossa.

Assim nasce o sentimento de pertencimento não somente do fato de morar em determinado lugar. Ele se fortalece quando as pessoas reconhecem que fazem parte de uma história, de uma paisagem, de uma comunidade e de um território que merece ser cuidado. O Lago Igapó integra o imaginário urbano, são quase 70 anos de memória afetiva com experiências cotidianas de muitas gerações. É lugar de encontro, caminhada, contemplação, lazer, prática esportiva, convivência familiar e contato com a paisagem.

Mas, pertencer é também responsabilizar-se. Quem cuida ama, quem reconhece o lago como parte de sua vida precisa compreender que sua preservação depende de atitudes individuais, políticas públicas, planejamento urbano, fiscalização, educação ambiental e participação social. O abraço, portanto, pode representar uma passagem importante: do lago como cenário para o lago como patrimônio socioambiental, do espaço utilizado ao espaço cuidado, da paisagem admirada à paisagem compreendida em sua complexidade ecológica.

Sendo assim uma das maiores contribuições de uma iniciativa como essa está na possibilidade de transformar um ato coletivo em uma experiência educativa. Ela envolve a formação de valores, sensibilidades, conhecimentos e práticas capazes de modificar a relação entre sociedade e ambiente.

Abraçar o Lago Igapó é reconhecer que a cidade também vive em suas águas, em suas árvores, em seus córregos e fundos de vale. É um gesto de paz, pertencimento e educação ambiental: cuidar da natureza é cuidar do nosso território e de nossa casa comum.

 

*Paulo Bassani pesquisador e educador ambiental

PUBLICAÇÃO - sexta-feira, 18 de setembro de 2026 – Folha de LOndrina

 

 


segunda-feira, 14 de setembro de 2026


Pensar Poético


"O pensar ambiental, na relação entre os homens e a natureza, oferece interconexão entre humanidade e o ambiente. A construção do amanhã, nesse sentido, não se limita apenas nas relações humanas mas se estende a uma consciência mais ampla da coexistência harmoniosa com a natureza. Todos formando uma grande teia da vida que nos alimenta e nos retroalimenta."

Paulo Bassani


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 Pensar Poético



“As atividades econômicas impactam os sistemas naturais e toda a biodiversidade. Enquanto que a sustentabilidade substantiva, que compreende diálogos de saberes, formas horizontalizadas de poder e equilíbrio em todas as relações, tentam conviver harmonicamente com esse patrimônio natural”

                                                                       Paulo Bassani

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

 Pensar Poético




"Somos seres imaginativos, criativos e com uma capacidade imensa de pensar, construir e de fazer algo que melhore as condições de vida e habitabilidade planetária." 

Paulo Bassani é cientista social 

26/08/2026


 Ensaio

                                                                     Paulo Bassani

SAP- Santo Antônio da Platina, Pr

29/08/2026



O sentido democrático da transição*

 

Há momentos na vida em que a maior demonstração de compromisso com uma causa não está em permanecer na luta, mas em saber recuar, observando acompanhando e se fortalecendo. A presidência de um Conselho Municipal de Meio Ambiente não deve ser compreendida como propriedade pessoal, espaço de influência particular ou instrumento de grupos políticos. Trata-se de uma função pública voluntária, ainda que exercida por representantes da sociedade civil e do poder público, sua legitimidade nasce do conhecimento ambiental, da participação, da pluralidade e da experiência para recuperar, preservar, cuidar, avaliar e propor projetos ambientais urbanos e rurais.

Quando uma gestão finaliza, o comportamento esperado de quem deixa a Presidência deve ser marcado pela serenidade, pela transparência, pelo respeito às regras democráticas e pelo compromisso ético do dever cumprido. O dirigente que encerra seu mandato não deve tentar construir mecanismos de controle, muito menos promover alterações regimentais destinadas a favorecer uma determinada corrente, grupo ou “chapa”. A democracia e seus interlocutores pressupõe alternância, autonomia e liberdade para que diferentes posições possam disputar legitimamente os espaços de representação.

O problema se torna ainda mais grave quando está em jogo o Fundo Municipal de Meio Ambiente. Um fundo público não pertence ao Conselho, à sua Presidência, a uma secretaria ou a qualquer grupo político. Seus recursos possuem finalidade pública e ambiental, devem estar submetidos aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. O Conselho deve exercer controle social sobre esses recursos, e não transformá-los em instrumento de poder ou moeda de troca institucional.

É nesse contexto que surge a figura sociológica daquilo que se convencionou chamar de “Chapa Branca”, uma articulação que, sob a aparência de participação institucional, procura reproduzir dentro de um espaço democrático, a lógica de ocupação e controle, próprio das estruturas políticas tradicionais. Disputar é legítimo, o problema surge quando a disputa deixa o espírito democrático, para controlar as regras do jogo, os recursos e as instituições que devem permanecer independentes.

Um Conselho Municipal precisa ser democrático, não partidário,  republicano não corporativo, comprometido com o território onde exerce seu mandato menos com projetos ideológicos. Sua dinâmica, e força  demonstram um exercício democrático e não na capacidade de um grupo controlar sua estrutura. Trata-se da capacidade de reunir diferentes setores da sociedade em torno da defesa ambiental, tão necessária e fundamental para garantir a qualidade da vida humana nos territórios onde habitamos.

As lideranças democráticas não se medem pela capacidade de controlar quem vem depois. Mede-se pela capacidade de construir um movimento institucional que não precise ser controlada por ninguém, mas pela participação, transparência e interesse publico

A história, mesmo que tardia, costuma reconhecer o exercício democrático do poder, dos cargos e das ações correspondentes. No Consemma, como em qualquer espaço de participação social, a alternância não deve ser vista como ameaça, ela é, precisamente, uma das condições da democracia. E quem realmente acredita e defende a causa ambiental, os direitos da natureza, na recuperação, conservação da biodiversidade e, das causas educacionais que ela remete, devem compreender que nenhum projeto de sustentabilidade de alto teor, sem adjetivos e sim como substantivo, pode ser construído sobre a fragilidade da democracia institucional.

*Paulo Bassani é Cientista Social, Sociólogo Ambiental e presidente do Consemma de Londrina.

 

 


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

 Pensar Poético




                 Esclarecer o pensamento, educar e formar consciências críticas e sensíveis. Esta é a nossa tarefa.

Paulo Bassani é cientista social 

28/08/2026

 Evento



Espaço da UNIMED

Londrina, Pr.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 Ensaio


                                             22/08/2026 -SAP - Santo Antônio da Platina, PR


Meio ambiente não é moeda de troca: duas atitudes, o mesmo desrespeito*

Há uma preocupante convergência em duas recentes atitudes da administração pública de Londrina quando observadas sob a perspectiva da política ambiental: de um lado, a utilização de recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente para atender despesas da Secretaria de Educação. De outro, a apresentação à Câmara Municipal de uma proposta de desapropriação de 18 áreas verdes, praças e fundos de vale para a implantação de moradias vinculadas ao Programa Minha Casa, Minha Vida.

São medidas distintas em sua forma, mas que revelam uma mesma concepção política: a de que o meio ambiente pode ser relativizado, subordinado ou utilizado como variável de ajuste diante de outras necessidades da administração pública.

O primeiro caso é particularmente grave porque um Fundo Municipal de Meio Ambiente não constitui uma reserva financeira genérica do Poder Executivo. Sua existência está vinculada a uma finalidade pública específica: financiar políticas, programas, projetos e ações de proteção, recuperação, conservação e educação ambiental. Quando recursos dessa natureza são deslocados para outra finalidade, ainda que socialmente relevante como a educação, estabelece-se um problema de desvio de finalidade e de respeito à institucionalidade ambiental.

Não se trata de colocar educação contra meio ambiente. O problema está em utilizar recursos constitucional e institucionalmente vinculados à política ambiental para resolver insuficiências orçamentárias de outra área. Se a educação precisa de recursos, cabe ao orçamento da educação assegurar esses recursos. Não é aceitável solucionar um problema institucional criando outro e enfraquecendo o financiamento da política ambiental.

A segunda iniciativa apresenta uma questão igualmente delicada. A necessidade de produzir habitação popular é absolutamente legítima e deve ser reconhecida como prioridade social. O direito à moradia é fundamental. Entretanto, o direito à moradia não pode ser colocado em oposição ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. A Constituição brasileira não estabelece uma hierarquia que permita sacrificar indiscriminadamente áreas ambientais para atender políticas habitacionais.

Praças, áreas verdes e fundos de vale cumprem funções ecológicas, urbanísticas e sociais. Contribuem para a drenagem urbana, redução de ilhas de calor, conservação da biodiversidade, permeabilidade do solo, qualidade paisagística, lazer, convivência comunitária e equilíbrio climático. Em uma cidade que enfrenta os efeitos cada vez mais evidentes das mudanças climáticas, eliminarem esses espaços significa, muitas vezes, retirar justamente os elementos naturais que ajudam a cidade a resistir às próprias consequências de sua expansão desordenada.

Uma administração pública comprometida com o interesse coletivo deveria buscar primeiro áreas urbanas degradadas, imóveis públicos subutilizados, terrenos ociosos, vazios urbanos e alternativas de adensamento que não impliquem a supressão de estruturas ambientais essenciais. A política habitacional precisa dialogar com o planejamento urbano, a política ambiental, a mobilidade, o saneamento e a qualidade de vida.

Há ainda uma questão de fundo que se refere ao respeito às instituições. Conselhos municipais, audiências publicas, fundos públicos, legislação ambiental, instrumentos de planejamento urbano e mecanismos de participação social não são obstáculos burocráticos à vontade do governante. São instrumentos criados justamente para impedir que decisões de grande impacto coletivo sejam tomadas de maneira unilateral ou segundo conveniências políticas circunstanciais.

Quando um fundo ambiental é utilizado para uma finalidade estranha à sua natureza, enfraquece-se o próprio sistema de governança ambiental. Quando áreas verdes são tratadas como terrenos disponíveis para qualquer finalidade administrativa, enfraquece-se a ideia de planejamento urbano sustentável. E quando essas decisões são apresentadas como solução inevitável corre-se o risco de transformar uma necessidade social legítima em demagogia política.

É preciso afirmar com clareza: defender o meio ambiente não significa ser contra a educação, contra a habitação popular ou contra o desenvolvimento urbano. Significa defender que essas políticas sejam realizadas de forma integrada, planejada e juridicamente responsável.

A democrática política pública não escolhe entre moradia e meio ambiente. Procura garantir moradia com qualidade ambiental, educação com sustentabilidade, desenvolvimento urbano com planejamento; crescimento econômico com responsabilidade ecológica. Londrina não precisa escolher entre justiça social e justiça ambiental. Precisa de uma administração capaz de compreender que ambas fazem parte de um mesmo projeto de cidade que queremos viver.

O que está em jogo, portanto, não são apenas 18 áreas verdes ou os recursos de um fundo municipal. Está em jogo uma concepção de cidade e de administração pública. O patrimônio ambiental não pertence ao governo. Pertence à sociedade e às gerações que ainda virão. Por isso, decisões que comprometam áreas verdes, fundos de vale e recursos destinados à política ambiental devem ser submetidas aos mais amplos debate público, aos conselhos competentes, aos estudos técnicos e aos instrumentos legais de controle e participação social.

A administração pública deve ser responsável não apenas pelo que constrói, mas também pelo que preserva. Londrina precisa de moradia, educação e desenvolvimento. Mas precisa, igualmente, de rios vivos, fundos de vale preservados, praças, áreas verdes e uma política ambiental institucionalmente respeitada. Defender esses princípios defender a Constituição, o interesse público, o patrimônio ambiental e o direito das presentes e futuras gerações a uma cidade ambientalmente equilibrada.

 

*Paulo Bassani é cientista social e presidente do CONSEMMA de Londrina.


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