Ensaio
Por: Redação Fonte: Paulo Bassani
19/12/2025 – Santo Antônio da Platina, Paraná
Reflexões do viver*
A melhor atitude não é falar de Deus, é sentir a Deus no coração e em sua humanidade, assim como perceber a que ele está na natureza, que são obras primas com a imagem, semelhança, mão e o cuidado que tanto São Francisco referendava.
Nós buscamos ser seres humanos bons e decentes, não pelo temor a Deus, mas pela nossa natureza humana que é repleta de bondade, de solidariedade, cooperação, de cuidados vindo da gênese que nos criou. Assim Deus não se apresenta como poderoso, pelo contrário é misericordioso, é amor. Ele não está lá em cima, distante, esta no meio de nós celebrando a vida com toda plenitude.
Deus é o eu maior que nos ilumina, nos inspira, nos ajuda a despertar nossa humanidade, nos impulsiona no empenho da evolução, de nosso propósito, de nossa vida. Nessa busca temos a bússola, o GPS material e espiritual que nos indica, orienta a ser um pouco melhor a cada ano ate o final de nossos dias. Somos a composição dessa materialidade e dessa imaterialidade, dessa objetividade e das nossas subjetividades. Pois carregamos além de inteligência, a imaginação e criatividade que compõem os átomos das estrelas.
Um dos grandes desafios é o autoconhecimento, isto esta presente em toda a marcha humana planetária. Não nascemos prontos acabados, somos construtos permanentes, somos a reinvenção humana da vida que a cada tempo retrabalhamos nossa matéria prima e nossa espiritualidade e nessa caminhada respeitar, cuidar da natureza o qual dependemos é primordial. Rumamos por uma estrada estranha em busca da felicidade, porque ela se não sabemos ao certo a razão, tende a se esconder, mas persistentes, continuamos nossa busca. Mas ao se esconder, pouco se sabe dela, qual é seu tamanho, sua sonoridade, sua cor, seu cheiro, seus encantos, mas, sabemos que está logo ai adiante.
Nessa busca, não obteremos respostas definitivas, teremos, aproximações, versões possíveis, sempre em busca de nossa melhor versão. Lembrando que somos finitos, limitados, frágeis e de uma temporalidade muito curta. A vida é um trajeto de possibilidades de significados, que talvez nos demonstre no horizonte, qual ou quais nossos propósitos. No andar devemos fazer e cultivar o bem e o belo, pois essa é nossa experimentação suprema, buscar deixar nossa sombra pelo caminho de maneira que ela transcenda a realidade e, sirva como legado, para que seu espírito estava presente nesse curto trajeto.
Somos únicos, somos muitos, somos nada. Ser único, singular e ser no outro, o diferente, essa é uma complexidade de entender e lidar com nossa ambigüidade, lá e cá, eu e o outro, o que tenho e o que sinto. Minha impressão cotidiana deixa a marca da presença com saudades da ausência, no profundo do eu ao mais altivo do nós seres coletivos. Viver é sentir-se parte de algo muito maior, de tudo o que nos rodeia, que conhecemos que desconhecemos, das coisas visíveis e invisíveis. E esta busca permanente de conhecer o que desconhecemos para poder rever o que conhecemos e, ai onde as descobertas e a beleza da vida parecem se encontrar.
Atravessamos noites escuras para encontrar a luz na manhã seguinte. Atravessamos às dores, os medos, às crises, para desfazer nossa pequenez, nossa acomodação para dar o passo seguinte. Talvez a vida seja esta busca de olhar o amanhã com novos princípios, novos valores, novos ensinamentos, frutos desse renascimento que esta na busca incessante e na possibilidade do encontro, mesmo que seja lá longe no horizonte.
Nada podemos ignorar com a vida conquistada, adquirida, no conjunto de probabilidade genéticas, temo que ela nos puna se não utilizarmos dos potencias que a vida nos forneceu na busca do auto conhecimento. A ao que parece, o que é senão estar permanentemente em busca dessas respostas, aí deixaremos na mão de Deus para julgar esse resultado.
*Paulo Bassani é cientista social.