CONVITE
Professor Paulo Bassani
TESTE POP
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Artigo
Reflexões acerca da natureza e do capital*
Desde a Revolução Industrial, a natureza passou a ser tratada como uma externalidade, tanto para a ação humana quanto para a lógica do capital. Ficou ausente, a dinâmica da natureza, dos cálculos econômicos, ocorreu um desencontro, foi reduzida a um recurso a ser explorado não preservado, restaurado ou cuidado. Os ideólogos desse período não a concebiam como um bem finito e limitado, pelo contrário.
Hoje, porém, diante do aquecimento global e das mudanças climáticas, já perceptíveis, mensuráveis e vividas em todas as regiões do planeta, torna-se inevitável repensar essa relação nos mesmos termos em que o capital foi originalmente constituído.
Reconhecer e agir frente a essa realidade torna-se uma necessidade premente. O estágio científico a que chegamos nos possibilita compreender, em grande medida, tanto o funcionamento da natureza quanto o do capital. A natureza segue sua própria lógica de vida, expressa em suas águas, na vegetação, nos animais e em todos os seres que compartilham conosco este planeta. O capital, por sua vez, opera segundo uma lógica dominadora, impactante e, muitas vezes, destrutiva.
Para que possa continuar existindo, essa lógica precisará necessariamente se transformar. Mas como alterar sua essência sem que continue a reproduzir, ainda que de forma atenuada, os mesmos padrões de exploração? Não há como suavizar as presas de um lobo sem reduzir sua voracidade, com afirma Leonardo Boff.
Hoje, já não é basta avançar sob a ideia de “desenvolvimento sustentável”. Trata-se, em grande parte, de uma requalificação conceitual que apenas retarda a dinâmica de dominação, sem superá-la. Essa lógica persiste, reaparece e continuamente em todos os espaços, em todas as formas. As taxas de lucro não cedem facilmente a princípios que buscam moderá-las. Tais iniciativas tendem a funcionar como modelagens, que atendem muitas vezes a quesitos legais, porém disfarçam mas não eliminam a força estrutural que sustenta e impulsiona o próprio sistema.
O que podemos tirar de lição dessa reflexão é de que se o capital vier a sucumbir, uma infinidade de tipos de produção, consumo e de relações sociais começarão a emergir. Este é um dos papéis da filosofia pensar novos perspectivas “O filósofo é o homem de amanhã, aquele que recusa o ideal do dia, aquele que cultiva a utopia.” Friedrich Nietzsche. Contornos modelares começarão a emergir a partir de experiências que não tenham as mesmas características do capital. Comunidades, sociedades, alternativas e libertas desse ideal capitalista poderão demonstrar seus primeiros sinais. Mesmo porque não será algo substitutivo pronto e acabado, sempre serão construções que terão como ótica de não repetir os mesmo passos anteriores que levaram a essas transformações descritas reiteradamente.
Será um tempo de novos experimentos socioeconômicos, socioculturais e de nossa relação com a natureza, que estabelecerão roteiros junto às populações. Os passos e a intensidade desses, terão sua própria maneira de determinar-se perante os atores, que estarão em cena nesse futuro imediato.
Será um tempo não de uma economia e ecologia rasa. Será um tempo de uma economia e ecologia integral. Uma economia integral com as formas de atender as necessidades humanas respeitando, zelando e cuidando dos ciclos próprios da natureza. Nessa condição acreditamos não no final do mundo, mas no final de um tipo de mundo que ainda respira.
Se nessa constituição somos a parte e o todo, somos esse entrelaçamento entre natureza e economia, formando a comunidade de vida humana e econômica. Porque somos humos, terra fértil, que se constituiu a humanidade. Como afirma Leonardo Boff, (pág. 252) “Somos a razão sensível e cordial que funda o respeito à alteridade, à ética do cuidado e à responsabilidade universal” Acreditando na eterna busca por novas formas de socialização, assim nos tornamos humanos cuidadosos com tudo e com todos que coabitam a Casa Comum.
Haverá rejeição, resistências, formas não inteligíveis, porém isso é próprio da história, nenhuma ciência, tecnologia, inovação, modelo recebeu e nem receberá todos os reconhecimentos, até devido a complexidade humana, haverá um ganho, haverá uma perda. Porém sua determinação terá que ter o vigor, a vibração e a forma dialógica que se estabelecerá, nessa forma de habitar o mundo diferenciada das formas anteriores.
Isso posto, faz-se ressurgir algo próprio de nossa espécie que são as utopias, como dizia o filósofo Alfhonse de Lamartine “São verdades pré-maturas”, são virtualidades ainda não ensaiadas, não experimentadas, mas que se determinam como práticas que podem reencantar a vida. O poeta gaúcho, Mario Quintana enunciava “Se as coisas são inatingíveis… ora! Não é motivo para não querê-las… Que tristes os caminhos, se não for presença distante das estrelas!” Esse re-encantamento é o que buscamos, é o que os humanos buscam.
*Paulo Bassani é cientista social
CRC/E-LETRO Londrina, Paraná.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Reflexão Pascal
A luz divina*
Emergiu do sofrimento
Com força, lucidez e humildade.
Da conspiração dos poderes
Militar e religioso,
No qual seu modelo ameaçava,
Sua missão cumprida está.
Não há mais espinhos
Nem cruz e nem pedra
Agora somente a luz
Com o brilho nos olhos
Com sua alma pura
Venceu a escuridão e a insensatez.
Há um exemplo que nos deixou
De amor, paz e compaixão.
Agora o amor venceu o ódio
Agora é paz, nega a guerra,
Agora a compaixão esta entre nós
E nos abraça, com todo seu amor.
Ele vive no ar que respiramos
No sol que nos aquece
Nas chuvas e nas águas que fornecem vida,
No vento que sopra a brisa amena.
Agora seu espírito
caminha junto da humanidade
Cabe percebê-lo, sentir sua presença,
Em todos os momentos de nossas vidas,
Nessa luz que renasce.
*Paulo Bassani
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Entrevista
Tema:
Questão climática e seus desafios
Prof. Paulo Bassani
Dia 06/04/2026
20:00hs
1) Para áudio é só baixar o aplicativo disponível em Android ou IOS para celular pelo site soumaisagape.com.br
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terça-feira, 31 de março de 2026
Homenagem
LIXO ZERO*
Lixo zero, fora de tudo
fora de todos.
Todos envolvidos.
Na produção, na destinação
Todos responsáveis.
Na criação, na tomada
de uma nova concepção
entender que podemos mudar
que devemos mudar.
Programar os cuidados necessários
de produzir menos lixo
de destinar corretamente todo lixo,
de entender que não existe fora,
tudo permanece na biosfera planetária.
Tudo que fazemos resulta numa
condição salutar ou prejudicial para a vida.
Estamos diante de uma atitude
ética e cuidadosa.
Mas se ainda restar algo para realizar
que seja nossa consciência
limpa do lixo.
*Paulo Bassani CRC/E-LETRO
sexta-feira, 27 de março de 2026
Poema
ÁGUA, PLANETA VIDA*
Águas doces, águas salgadas,
águas claras, águas sujas, águas feridas.
Águas que nascem, águas que correm,
águas paradas, águas que partem, águas que secam.
Águas de uso, águas de reuso, águas para matar a sede dos animais
águas para gerar energia, ciclos que nos ensinam.
De quantas águas da vida
para compreender seu valor?
Quantas chuvas ácidas ainda
irão de cair sobre nossas cidades?
sobre as plantações ?
Quantas tempestades desmedidas,
carregando casas, histórias e vidas.
Até quando aprenderemos
que cuidar da água
É cuidar de todos os seres humanos?
Há nas águas um princípio ético:
um bem comum,
um direito de todos,
um dever coletivo.
Água que sustenta,
água que une que vem que vai
Ontem, hoje, sempre:
Planeta água, planeta vida.
*Paulo Bassani Núcleo de Cooperação Socioambiental do Norte do Paraná
CRC/E-LETRO de Londrina
CONVITE Representando o CONSEMMA de Londrina Abertura da 64° Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Dia 10/04/2026 Horário: 17:3...
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