TESTE POP

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

 Reflexões de nosso tempo


                                                                                            Paulo Bassani

Santo Antônio da Platina, Paraná
19/10/2026
 


Construção e desconstrução de visões de mundo*

A estupidez e a alienação caminham juntas! Somente o alienado e o estúpido votam em seu algoz, estimam-no e o mitificam. Tomamos como exemplo a metáfora conhecida da abelha e da mosca. Não precisamos explicar a uma mosca que o mel, como alimento, é muito mais saudável do que as fezes, o rejeito. A abelha sabe disso, a mosca, jamais saberá, pois essa é a sua visão, a sua cosmovisão, que retrata sua forma de se inserir, objetiva e subjetivamente, neste mundo.

Quando sabemos que aquilo que dizemos não corresponde à verdade, revelamos uma forma insuportável de alienação. Ela cega, inviabiliza o diálogo, desconsidera os argumentos e torna invisíveis os fatos, pois suas convicções parecem inabaláveis. Somente suas próprias deduções e certezas são capazes de justificar sua visão de mundo e, de sua existência. Assim, não compreendem, não querem compreender as relações mais profundas que estruturam a sociedade, tampouco o conjunto de interesses que se estabelece entre os donos dos meios de produção e da riqueza e aqueles que possuem, essencialmente, a sua força de trabalho e sua capacidade de luta e de resistência.

Somente ao reiniciarmos esse processo de formação humana poderemos cultivar um espírito verdadeiramente humano e construir um modo de vida mais justo, fraterno, solidário e cooperativo. Esses valores poderão despertar uma consciência crítica e transformadora, capaz de nos mobilizar para superar a tirania, a escuridão, a estupidez e a alienação.

Essa é a recuperação do humano que ainda aguardamos e pela qual trabalhamos. Este é o papel da academia, dos cientistas, tratarem de forma séria, profunda o momento que vivemos, um momento delicado, de decisões, mais que eleitorais, são decisões civilizatórias, por isso unir forças intelectuais e pragmáticas de jovens e adultos, numa luta de resistência para estabelecer esse salto qualitativo, tão urgente e necessário, para as questões elementares da vida nesse mundo. 

Estamos conscientes de que nos territórios de vida nasce a consciência crítica de onde emerge a prática social transformadora. Isso ocorre na defesa do patrimônio ambiental, na organização comunitária, na economia circular e sustentável na geração de emprego e renda e na construção das inúmeras alternativas econômicas e sociais  comprometidas com o bem comum.

Para tanto, nessa caminhada, educamos, conscientizamos e buscamos construir caminhos de lucidez, clareza e criticidade.  Temos a capacidade de entender a caminhada humana na construção de civilizações que possam garantir a vida plena das pessoas em seus territórios, em seus países, preservando o que há de mais belo que é a cooperação, a solidariedade  entre os indivíduos, garantindo respeito a toda diversidade cultural, étnica, sexual e religiosa. Associado a estas questões temos a compreensão da finitude e limitações planetárias, por isso que, recuperar, preservar, cuidar e educar para e com a natureza torna-se fundamental em nosso tempo. Necessitamos garantir as conquistas sociais, econômicas, ambientais e culturais. Necessitamos de um discurso que alimenta os sonhos, mas também um discurso racional como resposta as demandas diretas  do cotidiano de vida. É assim que a emancipação  de um povo democrático nasce, substituindo uma consciência subordinada por uma capacidade de pensar, argumentar decidir e agir de forma autônoma.

Seguimos nessa direção para que essa transformação possa, enfim, se tornar realidade no horizonte de nossas possibilidades. Mantemos essa convicção, entendendo,   mesmo que tardiamente, esse dia chegará. Afinal, educar, conscientizar é também semear a esperança de que outro mundo é possível.

*Paulo Bassani é cientista social





segunda-feira, 5 de outubro de 2026

 Reflexões de nosso tempo



UM LAMENTO PROFUNDO*


Diante da insensatez, da estupidez,
Diante da mentira, da falsidade
Diante dos interesses, da covardia.
Diante da alienação, a mentira.

Nesse momento o silêncio
Resta um olhar aprofundado
De um caminho mal traçado.
Um lamento profundo, ausência de mundo.

Para que o amanhã não se apague,
Na versão que se apresenta
Ao mercantilizar a vida e natureza
Pátria e riqueza
Em tristeza, escuridão e desigualdade.

Hoje reflexão aguçada, sentimento apurado
Olhos arregalados, coração palpitante
Pensamento, estratégia e passos.
Fortaleza, sorrisos e abraços.
Para rever a caminhada e os traçados.

Consciência, transformação e claridade.
De um amanhã indefinido, mas possível
Numa condição humana bravia, sem covardia
Com diálogos fecundos para imaginamos o realizável.

Lá no horizonte nos aguarda
Os sonhos, o sol e o amanhã radiante
Esperanças que não se apagam
De um claro caminho instigante.

Assim perceber com clareza e atenção
A força de nossas mentes e de nossos passos
E não sermos apenas platéia
Onde a luta, não morre e não se apaga
E renasce a cada dia como escrita de nossa história.

*Paulo Bassani

domingo, 4 de outubro de 2026

 Reflexões de nosso tempo

         


                                                Paulo Bassani é cientista social





sexta-feira, 18 de setembro de 2026

 Ensaio 



   ESPAÇO ABERTO

FOLHA DE LONDRINA

Abraço do Lago Igapó: um gesto de paz e compromisso com a cidade*

O abraço pode dizer, silenciosamente: esta cidade é nossa, e o cuidado com ela também é responsabilidade nossa

O abraço do Lago Igapó, previsto para o dia 27 de setembro, em Londrina, pode ser compreendido para além de uma manifestação simbólica de carinho por um dos espaços mais conhecidos da cidade. O abraço coletivo, quando associado à consciência ambiental, transforma-se em um gesto público de pertencimento, paz e responsabilidade compartilhada. Não se trata apenas de circundar um lago, mas de reconhecer que a cidade também se constitui pelos lugares naturais que acolhe, protege e transmite a todos e às futuras gerações.

O Lago Igapó é parte de um conjunto de paisagens que conferem identidade a Londrina. Seus lagos, córregos, fundos de vale, áreas verdes e nascentes não são meros intervalos na urbanização. São componentes de uma infra-instrutura ecológica que contribui para a regulação climática, a drenagem, a biodiversidade, a paisagem e a qualidade de vida. Preservá-los significa cuidar das condições materiais e simbólicas que tornam a cidade habitável, com qualidade de vida.

Em um tempo marcado por conflitos, intolerâncias, disputas e formas diversas de violência, um abraço coletivo pode assumir uma dimensão política no sentido mais amplo e nobre da palavra: a construção da convivência, da tolerância e o cuidado com a vida. A paz, nessa perspectiva, não deve ser entendida apenas como ausência de conflitos. Ela também se expressa na capacidade de uma comunidade dialogar, cooperar e construir compromissos em torno dos bens que pertencem a todos. O lago, a água, as árvores, os pássaros, os córregos e os fundos de vale tornam-se, assim, elementos de uma convivência que ultrapassa os interesses individuais. O abraço pode dizer, silenciosamente: esta cidade é nossa, e o cuidado com ela também é responsabilidade nossa.

Assim nasce o sentimento de pertencimento não somente do fato de morar em determinado lugar. Ele se fortalece quando as pessoas reconhecem que fazem parte de uma história, de uma paisagem, de uma comunidade e de um território que merece ser cuidado. O Lago Igapó integra o imaginário urbano, são quase 70 anos de memória afetiva com experiências cotidianas de muitas gerações. É lugar de encontro, caminhada, contemplação, lazer, prática esportiva, convivência familiar e contato com a paisagem.

Mas, pertencer é também responsabilizar-se. Quem cuida ama, quem reconhece o lago como parte de sua vida precisa compreender que sua preservação depende de atitudes individuais, políticas públicas, planejamento urbano, fiscalização, educação ambiental e participação social. O abraço, portanto, pode representar uma passagem importante: do lago como cenário para o lago como patrimônio socioambiental, do espaço utilizado ao espaço cuidado, da paisagem admirada à paisagem compreendida em sua complexidade ecológica.

Sendo assim uma das maiores contribuições de uma iniciativa como essa está na possibilidade de transformar um ato coletivo em uma experiência educativa. Ela envolve a formação de valores, sensibilidades, conhecimentos e práticas capazes de modificar a relação entre sociedade e ambiente.

Abraçar o Lago Igapó é reconhecer que a cidade também vive em suas águas, em suas árvores, em seus córregos e fundos de vale. É um gesto de paz, pertencimento e educação ambiental: cuidar da natureza é cuidar do nosso território e de nossa casa comum.

 

*Paulo Bassani pesquisador e educador ambiental

PUBLICAÇÃO - sexta-feira, 18 de setembro de 2026 – Folha de LOndrina

 

 


segunda-feira, 14 de setembro de 2026


Pensar Poético


"O pensar ambiental, na relação entre os homens e a natureza, oferece interconexão entre humanidade e o ambiente. A construção do amanhã, nesse sentido, não se limita apenas nas relações humanas mas se estende a uma consciência mais ampla da coexistência harmoniosa com a natureza. Todos formando uma grande teia da vida que nos alimenta e nos retroalimenta."

Paulo Bassani


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 Pensar Poético



“As atividades econômicas impactam os sistemas naturais e toda a biodiversidade. Enquanto que a sustentabilidade substantiva, que compreende diálogos de saberes, formas horizontalizadas de poder e equilíbrio em todas as relações, tentam conviver harmonicamente com esse patrimônio natural”

                                                                       Paulo Bassani

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

 Pensar Poético




"Somos seres imaginativos, criativos e com uma capacidade imensa de pensar, construir e de fazer algo que melhore as condições de vida e habitabilidade planetária." 

Paulo Bassani é cientista social 

26/08/2026


  Reflexões de nosso tempo                                                                                                                  ...