TESTE POP

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

                                                                         Artigo 



UM PACTO COM A TERRA*

 

Proposta do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Norte do Paraná

 

 

A Emergência Climática está ai, com suas manifestações em todos os continentes. As escolhas que fizemos enquanto espécie nos trouxe a um ponto crítico da história. Estamos diante do colapso ecológico, da fragmentação social, das guerras, da fome, do esgotamento ético-moral e espiritual, e do risco real de inviabilizar o futuro que prometemos às nossas crianças e aos que virão. O El Niño está ai demonstrando suas garras no aquecimento global, nos extremos de chuvas torrenciais e longos períodos de estiagem com abalos marcantes, perdas de vidas humanas e da biodiversidade existente, em nossos territórios. A civilização como a conhecemos e a Terra, nossa Casa Comum, clama por um novo começo. Alertamos que ultrapassamos os limites planetários coma biodiversidade que coloca em risco a reprodução e estabilidade dos sistemas naturais da Terra.

É com esse senso de urgência, onde as esperanças se renovam, e o mundo espera novos e possíveis encaminhamentos concretos. Não apenas para acusar, mas para lembrar. Não para lamentar, mas para despertar. Ainda há tempo de transformar, ainda é possível reconstruir, recuperar, recomeçar.

Apontamos aqui um novo horizonte: a construção de um modelo sustentável, de justiça, compreensão, cooperação e paz. Não como fantasias idealistas, mas como um paradigma de convivência, justiça e respeito mútuo entre todos os seres vivos. Um novo modo de ser e viver mais compassivo, mais equilibrado, eco civilizatório, humano. Com a criação de uma Cultura Sustentável como orientadora dessa emergente construção. Esse tempo será de uma Travessia Educativa, regeneradora, pois exigirá a aprendizagem de uma nova ética. A ética do cuidado, da escuta e da interdependência com tudo e com todos. Será alternativo, pois rompe com a lógica de dominação que nos separou uns dos outros e nos desconectou da natureza. E será inédito, porque jamais tentamos como humanidade, viver plenamente como uma só família planetária, com uma identidade civilizatória que demonstrara nossa capacidade imaginativa, criativa como seres pensantes. Neste tempo, nenhum povo, nação, religião, entidade, homem ou mulher será maior do que o outro. Todos serão partes de uma mesma Teia da Vida, em um planeta que é ao mesmo tempo finito, único e belo. Cada cultura será honrada, cada ser vivo respeitado. A diversidade deixará de ser ameaça e será reconhecida como força que nos une na diversidade cultural.

Não há mais espaço para a ilusão do crescimento infinito, da exploração desenfreada de combustíveis fósseis. Precisamos de um modo de viver compatível com os potenciais e os limites do planeta. Um modo de viver que recupere o sentido, o vínculo, o cuidado, a reverência pela vida. A construção desse Tempo de Travessia começa em nós. Começa aqui e agora. Ele nasce toda vez que escolhemos a cooperação em vez da competição, a partilha em vez da acumulação, o cuidado em vez da destruição. Aqui nos encontramos com uma Teoria de Mudança e suas práticas que florescem no cotidiano quando cuidamos da Terra como quem cuida de si, como uma mãe cuida de seus filhos.

Caros seres humanos que vivem pelos diversos territórios, este é o chamado do nosso tempo. Quebrar o ciclo do medo, da ganância, da exploração. Curar as feridas abertas, reunir o que foi separado, recuperar o que foi destruído. Para tanto utilizar dos conhecimentos científicos agregadores que construímos ao longo dos anos. E juntos, como seres pensantes, conscientes, imaginativos e criativos redesenhar o futuro. E construir um design civilizatório com a cara e a alma humana, sempre nos espelhando na natureza. Este é um convite, um compromisso, um pacto com a vida. Para salvar a nós mesmos, regenerando o mundo, regenerando nossa espécie para um novo tempo.

 

 

*Paulo Bassani é Cientista Social. Membro da Equipe Gestora do Norte do Paraná – Núcleos de Cooperação Socioambiental- Itaipu/Parquetec. GEAMA - Grupo de Estudos Avançados Sobre o Meio Ambiente/UEL

 


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

 Poema



Um tempo*


Houve um tempo

Em que podia esperar

Hoje já não espero mais.

Houve um tempo

Em que lamentava pela ausência

Hoje apenas uma leve lembrança

Houve um tempo

Em que os dias eram sombrios

Hoje vejo luz em todo lugar.

Houve um tempo de sorrisos amarelos

Hoje há muitas gargalhadas.

Houve um tempo de certezas

Hoje as incertezas aparecem.

Houve um tempo que acreditei

Hoje duvido mais.

Houve um tempo de desilusão

Hoje outros sonhos e utopias renascem.

Houve um tempo que pensei

Hoje penso o tempo todo.


*Paulo Bassani

 




domingo, 12 de julho de 2026

 PENSAR POÉTICO




JOGAR PARA O ALTO*


Disposto a reflexão
Joguei o pensamento para o alto
Acertei na explicação
Que agora corre pelo chão.

Mas não havia apenas uma resposta
Há muitas outras interpretações
Umas correm pelas beirados
Outras de arrastão.

Talvez deva alçar novamente o pensamento
Para alcançar outras explicações
De um mundo contraditório e perverso
Ainda procuro luzes na escuridão.

Há luzes que se apagam
Pelas forças de opinião
Que não sustentam as vozes
Nem tão pouco uma resolução.

Mas a claridade existe
Na procura profunda
Que ilumina as pistas
E outros trilhas em vista.

Se a leitura for intensa
Talvez o encontro aconteça
De sinais pistas e frestas
Com alegrias e festanças.

A busca, o aprofundamento
Sempre será uma obsessão
De um dia encontrar
E apresentar soluções.

*Paulo Bassani

sexta-feira, 19 de junho de 2026

 POEMA


Paulo Bassani


A CADA MOMENTO*

Se tiver água pura beba,
Se tiver ar límpido, respire,
Se sombra descanse,
Se ódio não faça nada,
Se sofrer ofensas, não reaja,
Se tiver que sorrir, sorria,
Se tiver que parar, pare,
Se tiver que aguardar, aguarde,
Se encontrar o caminho, caminhe,
Se encontrar frestas luminosas, siga em frente,
Se tiver que abraçar, abrace,
Se tiver que silenciar, silencie,
Se tiver que pensar, pense,
Se tiver que parar para refletir, reflita.
Se há momentos para isso para aquilo, entenda
Se em todos os momentos estiver vivo, viva,
Em todos os momentos seja autêntico,
Em cada momento seja um ser sensível,
Em cada momento seja um ser humano,
E a cada momento, seja grato.

*Paulo Bassani

segunda-feira, 15 de junho de 2026

 POEMA



                                                            Paulo Bassani



SOMOS A COMPLETUDE*


Somos um nó de relações
Que estão dispersos no universo,
E somos parte desse processo
Dessa magnificência que se completa.

Se somos a completude
Somos parte do infinito.
Somos a chama da escuridão,
Somos a relação com o distante
Que se aproxima e nos qualifica
Que nos identifica na finitude.

Agora compreendemos
Os propósitos da criação
De nossa parte no todo
Do subjetivo e objetivo
Do escondido e demonstrado,
Que revela vida com vida.

*Paulo Bassani

quarta-feira, 10 de junho de 2026

terça-feira, 9 de junho de 2026

 Homenagem 




Os oceanos nossa referência*

 

Os oceanos e mares ocupam cerca de dois terços de todo o planeta Terra. As águas salgadas representam 97% de todas, sendo apenas 3 % de águas doces. Temos enormes desafios pela frente diante da Emergência Climática em curso. Compreendemos a partir de dados, pesquisas realizadas por universidades, pelo IPCC, e por inúmeros órgãos de pesquisa que os Oceanos determinam de forma significativa o clima planetário. São os grandes termômetros climáticos e equilibradores climáticos.

Há um processo em curso da sociedade moderna capitalista e de consumo, uma ação descabida de que os oceanos são as grandes caixas receptoras de todo tipo de poluição, contaminação. São plásticos e todos os tipos de resíduos que chegam pelos rios, pelas praias nas costas habitadas por grandes cidades, e pela extração do petróleo e suas águas associado aos vazamentos e acidentes dos petroleiros.

O ODS Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (2020-30) no seu item 14 indica a necessidade de preservar os mares e oceanos. Segundo o IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, entre 1992 a 2022, houve em média, a elevação de 9 cm  dos oceanos. Assim com a continuidade do degelo dos pólos norte-sul, dos glaciares, das montanhas, a tendência será de elevação constante nas próximas décadas. Associados a isso temos o aquecimento das águas oceânicas e sua oxidação, essas tem causado tufões, enchentes e estiagens determinadas por fenômenos que os climatologistas chamam de El Ninho, aquecimento da zona equatorial do pacífico em cerca de 1,5 a 2,0° centigrados. Este fenômeno causará enormes impactos pelo mundo em nosso país teremos mais ao centro norte estiagem, secas, incêndios. E mais ao centro sul teremos chuvas, inundações, deslizamentos de terras. Isso tudo irá acontecer entre os meses de junho de 2026 a fevereiro de 2027, segundo dados do Clima Tempo, do INPE, IPCC/ONU e NOAA dos EUA.

Manter os ecossistemas num equilíbrio sustentável possibilitará e equilíbrio entre a quantidade de águas e sua qualidade que chegam aos mares. Os oceanos são nossa referência de vida nessa Casa Comum devemos tratá-los com respeito, zelo e cuidado.

*Paulo Bassani é cientista social



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