TESTE POP

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

 Série 

Água da Fonte




O TEMPO*

 

Ao me encontrar com o tempo

Perguntei: Você tempo como utiliza seu tempo?

O tempo respondeu !

Que não tinha tempo para perder tempo

Mas sei que o tempo é utilizado

Para usufruir a vida de quem tem tempo.

 

Voltei a indagar: E quanto tempo temos para perder

Para outras coisas?

O tempo, pensou, pensou

E disse: Ora o tempo é seu

Faça dele o melhor proveito possível

Não há como lhe dizer o que fazer com o tempo

O tempo é seu unicamente,

Suas atitudes, suas decisões tomarão

Conta de seu tempo.

Se elas forem correspondentes aquilo que imaginavas

Poderá dizer ao tempo que o tempo foi precioso

Que utilizaste da melhor maneira possível.

E quando tiveres alguma dúvida acerca do tempo

E pensar que o tempo está sendo ingrato com você

Lembra-se dos que pouco tempo tem,

Veja o tempo daqueles que já perderam tudo

O tempo e a vida,

E na aventura de viver,

Agora não há mais nada que o tempo possa fazer.


*Paulo Bassani

 

  


sábado, 11 de janeiro de 2025

 Série 

Água da Fonte






Percepção *


Alguém me contou

Que ontem havia desespero

Que a tristeza dominava a todos

Que a tensão estava no ar.

Porém, hoje, este mesmo alguém

Contou-me que o sol voltou a brilhar

As aves a cantar

O ar puro para respirar

E a alegria voltou a se hospedar.


Ora e o que esperar para o amanhã?

Sintomas de uma tensão

Ou alegria a se instalar.

Cabe minha obstinada caminhada

Para uma trilha de belos sonhos

Poder reiniciar.

 

*Paulo Bassani



sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

 Série 

Água da Fonte




O bem te vi*

 

Certa vez passeando

Pela rua onde moro

Vi um pássaro cantando alegremente

Sobre o muro da casa de meu vizinho.

 

Era um bem te vi com sua plumagem amarelinha

Com pequenos traços cinza e preto.

Percebi que seu canto

Era tão belo, altivo e sonoro.

 

Chegando mais próximo

Ele em nada mudou em seu cantarolar.

Nesse instante parecia cantar para mim

Então parei de fronte, sem me aproximar demais.

 

E com o tom de seu cantar tentei imitá-lo

Desafinado, mesmo assim ele prestou atenção

Respondeu-me com seu tom único, original e belo.

Nesse instante percebi a harmonia existente.

 

De ser natureza semelhante, integrada na presença

Numa sintonia que somente a natureza carrega

Tudo no simples canto do pássaro

Sob o murro da casa vizinha.

 

*Paulo Bassani


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

 Série 

Água da Fonte

Inicio de uma nova Série de Poemas para o ano de 2025


Água da Fonte*


Hoje adoro musicas antigas

Vinho tinto seco 

Um banho quente

Livros, livros, livros

Pensar, pensar, pensar

Um notebook para escrever.

Estar junto à natureza

Pés descalços na terra

Uma caminhada no parque

O cheiro da terra

Cantarolar melodias

Respirar ar puro

Um banho de sol pela manhã

Observar o luar à noite

Encantar-me com as estrelas

Jogar futebol com amigos

Assistir um bom filme

Ouvir o silêncio

Sentir o vento agradável

Sorrir despreocupado

Beber água da fonte.

 *Paulo Bassani



terça-feira, 7 de janeiro de 2025

 Artigo

                                                Santo Antônio da Platina, PR
                                                            07/01/2025

https://www.portaltanosite.com/noticia/155483/um-design-natural-aprendendo-com-a-natureza

Paulo Bassani e Arthur Barbosa Bassani

Um design natural: aprendendo com a natureza*

A vida ocorre em tempos diferentes: o tempo de existência, o tempo de aprendizagem e o tempo das descobertas. Hoje, vivemos um momento crucial em que esses tempos convergem, desenhando um novo design civilizacional. Esse desenho é profundamente condicionado pela compreensão de nossa dependência da natureza, elemento essencial de nossa existência.

Nesta nova etapa, somos convidados a reconstruir uma relação com o mundo natural, uma conexão há muito negligenciada. Por séculos, distanciamos nossa prática e percepção de mundo das bases naturais de onde emergimos motivados pelo desconhecimento ou pelo predomínio de uma racionalidade instrumental, utilitarista e ambiciosa. Essa perspectiva, que priorizou a exploração e a eficiência, sobrepôs-se a uma racionalidade sensível, ou, como Enrique Leff nos sugere uma racionalidade ambiental. Hoje, percebemos a urgência de reavaliar essa postura. O entendimento de que a natureza é vital para nossa vida e sua qualidade em todos os espaços, sejam urbanos ou rurais, exige uma transformação radical em nossa maneira de olharmos e de fazer as coisas. Mais do que modelo de desenvolvimento estamos em busca de um modelo de envolvimento próximo entre os homens e a natureza em todos os territórios de vida.

Essa mudança começa com a observação cuidadosa e o diálogo com conhecimento o científico acumulado. Ela aponta para soluções inspiradas na natureza, aproximando os ambientes construídos de sua originalidade natural. Essa proximidade é um convite a repensarmos nossas respostas sociais, econômicas e culturais, pavimentando um caminho mais harmônico entre homens e natureza.

Estamos imersos em um cenário de mudanças climáticas, caracterizado por extremos provocados pelo impacto humano sobre biomas, terras e oceanos. Mitigar esses danos requer ação imediata, local e global, para reverter o desequilíbrio em curso. Esse movimento implica, sobretudo, um olhar renovador para o território em que vivemos uma prática de autoconhecimento que nos leva a importância: somos natureza. Pensamos, imaginamos, criamos, mas somos, acima de tudo, parte dela. Essa consciência nos confere a responsabilidade de compatibilizar os espaços de vida que a modernidade construída com a natureza que, por muito tempo foi ignorada, pensado que poderíamos viver sem ela.

Um novo design começa a emergir, manifestando-se em casas, prédios, condomínios, parques e jardins. Esses lugares se transformam em refúgios harmônicos, repletos de cores, cheiros, sombras e micro climas. Um design estético que cria e recria os ambientes muito próximos do que a natureza sugere, ou o que se divulga hoje na busca de soluções baseadas na natureza. A integração do verde, das flores e dos elementos naturais ressignifica os ambientes, tornando-os mais acolhedores, únicos com experiências inesquecíveis.

Essa busca pela recomposição ecológica, pela recuperação, pelo plantio e pela manutenção dos pequenos, mas preciosos espaços compartilhados entre humanos e o mundo natural, é agora essencial. Não se trata apenas de uma escolha, mas de uma responsabilidade coletiva, que envolve tanto cidadãos quanto empresas. A incorporação de práticas sustentáveis ​​no âmbito do ESG (Environmental, Social, and Governance) é um passo crucial, mas não menos importante que o compromisso de cada um diante das tarefas recuperadoras e cuidosas que teremos pela frente

Quanto mais estreitarmos essa conexão entre urbanidade e ruralidade, mais ampliaremos nossas possibilidades de estabelecer uma nova relação com a natureza, uma relação de sintonia, capaz de agregar qualidade de vida, beleza e harmonia ao cotidiano. Este é o desafio e, ao mesmo tempo, a promessa do design natural: recriar espaços que nos reconectam ao que somos ao que sempre fomos, a natureza que pensa, cria e sonha com um futuro mais equilibrado e sustentável.

    * Arthur Barbosa Bassani é agrônomo

 ** Paulo Bassani é cientista social

 

 

 


domingo, 5 de janeiro de 2025

 Inspirações para 2025

                                 


15 pensamentos e orientações para 2025

Dos clássicos do Estoicismo, passando por Aristóteles e Sócrates. Outros contemporâneos como Dostoievski, Bob Marley e Saramago. Além de algumas formulações próprias


1.       Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade (Sênica)

2.       Se o problema possui solução, não devemos nos preocupar com ele. E se não possui solução, de nada adianta nos preocuparmos. (Epíteto)

3.       O que você teme perder, se nada do mundo realmente lhe pertence. (Marco Aurélio)

4.       Pessoas inteligentes apreendem com tudo e com todos. As pessoas comuns aprendem com suas próprias experiências. Pessoas estúpidas têm todas as respostas. (Sócrates)

5.       Talvez eu seja enganado inúmeras vezes... Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar, alguém mereça minha confiança. (Aristóteles)

6.       O que te adianta falar como sou. Se você vai acreditar no que os outros vão te dizer.  (Bob Marley)

7.       Se tens um coração de pedra, faça bom proveito dele. O meu o fizeram de carne e sangra todos os dias. (José Saramago)

8.       O mistério da existência humana não está apenas em permanecer vivo, mas encontrar algo pelo qual viver. (Fiodor Dostoievski)

9.       Existem pessoas que você não pode mudar. Elas são como o número 689, mesmo se você virá-lo ainda permanecerá 689.

10.      Não se importe com a opinião dos outros, são apenas opiniões.  A maioria que te julgam, opinam não dialogam com você e nem se quer te conhecem.

11.      A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista. A inteligência coloca-se na retaguarda para ver, para tentar melhor entender os fatos. 

12.      Para evitar decepções demasiadas na vida, tente evitar viver de expectativas, seja um realista esperançoso.

13.      Nós brasileiros devemos e podemos oferecer ao planeta uma alternativa de mundo no ponto de vista humano, existencial e ambiental.

14.      Não posso abdicar o pensar crítico, a leitura e a profundidade das análises, elas me tornam o que sou.

15.      Na natureza encontro a paz, a explicação e o sabor do viver. Nela é fonte suprema de inspiração.   

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

 ARTIGO

Folha de Londrina
Espaço Aberto

31/12/2024
Londrina, Paraná, Brasil


Paulo Bassani

Cidades Sustentáveis necessárias*


         A sociedade e a cidade, em sua expressão cotidiana, de mercado, se assenta basicamente sobre a competição, traduzindo-se num conjunto de indivíduos, isolados que vivem um aglomerado espaço-tempo. Esta é uma concepção de densidade baixa e insustentável para as cidades. Queremos pensar e construir um novo paradigma para as sociedades e para as cidades, que desperte o viver assentado nos princípios de equilíbrio, qualidade, preservação, segurança, coletividade, participação. Tudo com um firme propósito, de em conjunto, alcançar a sustentabilidade necessária, predispondo de outro tipo de sociabilidade participativa, colaborativa, resiliente, solidária e horizontal.

Este cenário paradigmático que propomos encontrar-se fundado na qualidade de vida e do bem viver. Para tanto, necessitamos estabelecer um rompimento definitivo deste olhar tradicional, tratamento da cidade em seu estado atual e, estabelecer um novo, pois ela que nos acolhe como seres inteligentes, imaginativos e criativos, portanto como seres capazes de pensar e agir, por isso espera-se algo mais para uma urbanidade sadia. Hoje temos os meios de saber e construir um conhecimento que edifique um fazer que possa dar outro curso nos processos social, econômico, cultural e ambiental das nossas cidades.

Os paradigmas organizacionais urbanos que nos trouxeram até aqui estão defasados e inoperantes. A história se encarregou de demonstrar, o máximo que conseguem, diz respeito, a realizar pequenas reformas que no fundo são realizadas para apenas prolongar os modelos em curso. As soluções que políticos e gestores tradicionais propõem, seguem um padrão de continuidade do que aí está, e, não conseguem pensar e nem propor metodologias de estruturação e ação participativas e transformadoras. Estão presos a um circulo vicioso do mais e melhor, segundo eles, do mesmo.

Para quebrar este vinculo e estes procedimentos são três as propostas político-educacionais e organizacionais que necessitamos cultivar na preparação do solo urbano para um novo tempo:

a) Educação, formação e capacitação a todos: Programar e implementar uma educação permanente dos agentes publicas e da população em geral;

b) Um poder político local disposto a compartilhar a gestão pública de forma colaborativa: Estabelecer uma dinâmica participativa nas principais decisões e prioridades, sobre a elaboração, implantação e acompanhamento das políticas públicas;

c) Uma consciência colaborativa responsável, participativa e compartilhada da população envolvida: Cultivar, apreender e ensinar uma consciência crítica colaborativa e participativa que gere atitudes, comportamentos e que com o tempo se transformem em hábitos.

O poder político constituído implica na gestão dos prefeitos eleitos, sua composição de secretariado e assessores, bem como da câmara municipal, para trabalhar nesta perspectiva de um plano diretor associado a um plano de gestão publica que dialogue e estabelecer um compartilhamento dos processos que implicam na construção e implementação das políticas públicas para e com a população.

A consciência colaborativa e o senso de pertença será fundamentação cultural necessária para a compreensão, motivação e adesão aos processos de transformação a que se propõe.

Esse conjunto de fatores implica nas bases de uma cidadania empoderada, resiliente com sentimento forte de pertença a um território que escolheu para viver e preparado para os desafios da implantação, manutenção e continuidade de cidades sustentáveis. Em outras palavras, uma emancipação cidadã necessária para atingir a um patamar civilizatório onde o viver com qualidade, implica em viver uma cidade planejada, articulada, mobilizada, segura, com o emprego e renda, geradora de formas saudáveis e humanas do bem viver coletivo.

Outro aspecto importante no viver urbano, com o formato que apresentamos, diz respeito ao controle, separação, coleta e reciclagem dos resíduos sólidos urbanos, pois vivemos numa sociedade de consumo e produtora de resíduos, todo tipo de resíduos.  Controlar esse processo torna-se um imperativo.

E deste formato entender que será necessário reaprendermos a viver com a natureza urbana que embeleza e nos proporciona uma vida saudável. Das nascentes, dos córregos, rios, lagos, árvores, flores e pássaros a terra e o ar que respiramos todos coabitando o mesmo território urbano.

A transição para cidades colaborativas sustentáveis​​requer uma abordagem integrada que articula educação, capacitação, gestão e transformação cultural. Este modelo deve considerar as interdependências e as multidisciplinaridades entre os aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais da vida urbana. Ao adotar essas diretrizes, é possível vislumbrar uma urbanidade mais justa, equilibrada e resiliente tão necessária ao nosso tempo.

 

*Paulo Bassani é cientista social

 


 Ensaio      ESPAÇO ABERTO FOLHA DE LONDRINA Abraço do Lago Igapó: um gesto de paz e compromisso com a cidade* O abraço pode dizer, sile...