Apresentação do Manual de Indicadores de Desenvolvimento 2023 e a XII Pesquisa de Percepção da População sobre Londrina.
30 de novembro, quinta-feira, às 8h00 na Associação Medica de Londrina.
Londrina - PR - Brasil
Prof. Paulo Bassani
membro do FDL
Não a insensatez da guerra da fome!
Morrer vamos todos!
Sim porque somos mortais e finitos.
Porém, morrer pela estupidez das guerras e da fome
Ambas criações humanas, nada há de sensatez
Nessa atitude gerada por quem não vai à guerra
E por quem não sente fome.
Tudo indica ser uma grande ausência de humanidade
Da falta de civilidade, de sensibilidade, de ética,
De compaixão de respeito à vida.
Nada há nada para agregar, reconhecer nesse quadro dantesco
Com o interesse de poder, acumulação.
Produzir e vender armas
Produzir e ter excedente de alimentos
Para estocagens futuras.
Tirar a vida de crianças, jovens
Homens e mulheres com história e vida pela frente
É negar a liberdade, negar o direito a vida,
Negar o direito de viver seus sonhos, suas utopias.
Ninguém tem esse direito exterminador!
Nada de nobre e civilizatório há nisso
Somente o desprezo a quem gera guerras e fome.
*Paulo Bassani
Folha de Londrina -Espaço Aberto
10/11/2023 - Londrina - PR
Eliot
poeta marcante da modernidade*
O
escritor Thomas Stearns Eliot, renomado poeta, escritor e dramaturgo nascido
nos Estados Unidos e, com grande parte de sua vida passada em Londres,
Inglaterra, é amplamente considerado um dos mais influentes modernistas
literários do século XX, tendo vivido de 1888 a 1965. Eliot legou uma obra
extraordinária repleta de reflexões que permanecem extremamente pertinentes na
atualidade, especialmente em um contexto dominado pelas redes sociais e seus
discursos frequentemente superficiais e incoerentes. Uma de suas célebres
citações, que ressoa de maneira notável nos dias atuais, é a seguinte: "Numa sociedade de fugitivos, aquele
que anda na direção contrária parece que está fugindo."
Sua
vasta erudição nos campos humanístico, filosófico e literário permitiu que
expressasse sua inquietação como escritor. Eliot foi influenciado pelo poeta
Charles Baudelaire e, em 1948, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura
em reconhecimento ao conjunto de sua obra.
Sua
escrita era caracterizada por uma postura crítica e incisiva, muitas vezes
perturbadora, pois buscava adentrar as profundezas para desvendar a consciência
da modernidade. Possivelmente, tal abordagem se deve em parte à sua história
pessoal, com raízes nos Estados Unidos e maturidade na Inglaterra, dois países
cruciais na formação da modernidade capitalista e da configuração do mundo
ocidental. Com seus princípios e valores que determinam um modo de ser pensar, delineando os traços da modernidade capitalista em sua forma homogênea de se manifestar.
Em
sua obra intitulada "Os Quatro Quartetos," publicada em 1943, Eliot
alcançou um equilíbrio notável em sua expressão poética. Em geral, seus versos
exploram a natureza do tempo, enfatizando aspectos teológicos, históricos,
físicos e sua relação com os seres humanos. Cada um dos versos está associado a
um dos elementos essenciais da natureza: ar, terra, água e fogo. Como ele expressa
em um dos trechos mais conhecidos:
"O presente e o pretérito,
talvez estejam presentes no futuro. E o futuro no pretérito, se todo o tempo
estiver eternamente presente, todo o tempo será irredimível, O que poderia ter
sido é mera abstração, permanecendo uma possibilidade eterna apenas do mundo da
especulação. O que poderia ter sido e o que foi apontam para um fim único que
está sempre presente."
Nessas
palavras, Eliot revela seu estado de espírito intelectual e poético, conectando
passado, pretérito e futuro. Ele questiona se somos nós que passamos pelo tempo
ou se é o tempo que passa por nós, destacando a complexidade e a abstração do
contínuo fluxo temporal que perturba tanto o escritor quanto seus leitores.
Hoje,
somos inundados com uma profusão de narrativas, apresentadas com uma
intensidade sem precedentes na história da humanidade. Essas narrativas podem
muito bem encapsular a angústia de Eliot, já que muitos discursos
contemporâneos, por carecerem de profundidade, ética e seriedade em suas
considerações, podem soar "tão naturais" e "tão
verdadeiros" que causariam espanto ao poeta. Essa inundação de inverdades, narrativas construídas por robôs ou por agentes com essas intenções de desagregar a credibilidade da informações, hoje presente em todas as redes sociais, confundem e estimulam os processos alienantes em curso. Retificando a ideai de que, quanto mais alienação, mais domínio de forças estranhas que controlam o poder.
Essa superficialidade na abordagem de temas complexos, hoje expresso pelas redes sociais, pode ser a impressão evidente e inevitável da capacidade humana de penetrar profundamente na lama da modernidade, um contexto que impõe a necessidade de lutar pela liberdade enquanto reprime a intelectualidade e a leitura com a profundidade necessária para desvendar e desvelar nossa condição humana. Eliot, com sua escrita inquietante e profunda, continua a servir como um farol que ilumina os desafios e dilemas da vida moderna, incentivando-nos a questionar e refletir sobre nosso papel na sociedade e na história.
*Paulo Bassani é
cientista social
SERIE
POEMAS CONTEMPORÂNEOS20 minutos do segundo tempo*
Uma sensação estranha
Passa pelo meu ser!
Pensar sobre o tempo e a vida.
Será que passamos pelo tempo
Ou ele que passa por nós.
Descobri como num jogo de futebol
Estar vivenciando
Os 20 minutos do segundo tempo.
Penso que a vida não é um jogo!
Ela é muito mais que isso
Mas como uma analogia temporal
Com suas comparações e situações
Faz-se possível pensar.
Aos 20 minutos do segundo tempo.
Podemos considerar que
O primeiro tempo já se foi, acabou
Não há retornos, apenas uma lição
Esperamos ter apreendido,
Dos erros, dos acertos,
Ficaram as lembranças...
Muitos nem conseguem completar
Este primeiro embate,
Deste jogo foram retirados por
diferentes motivos
Falta de empenho, desmotivação, despreparo,
Algum acidente de percurso.
Que objetiva e subjetivamente influenciaram.
Outros sequer retornam ao segundo tempo,
Pois do primeiro tempo tudo viveu, nada sobrou.
No intervalo avalia-se o resultado de embate
De empate, de defesa, meio e ataque
Observado, estudado, analisado
Com algumas novas estratégias
E novas táticas para o andamento
Linhas que se cruzam, linhas que avançam
Há recuos, há perspectivas
Mais aconselhamentos psicológicos, cuidados físicos
Distribuição dos espaços pelo campo da vida.
Pelo palco do jogo.
Inicia-se o segundo tempo.
Nesse o tempo parece correr muito rapidamente,
Em poucos instantes
Já estamos aos 20 minutos
Alguns cartões amarelos para administrar,
E a precaução para não tomarmos os vermelhos.
Momento difícil, perplexo!
As forças físicas começam se esgotar,
Buscar e forças e resistência
Para a continuidade do jogo.
Uma dúvida paira no ar:
Assegurar o resultado do primeiro tempo
Ou arriscar para o ataque.
Tudo é incerteza, tudo angustia
Mas na história humana há padrões
Do “jogo da vida”, das decisões e das omissões,
Que carregamos que nos atordoa.
Porém não há certezas.
Há um acaso entre o destino
A liberdade, a opressão, o potencial.
Nisto o treinador divino nos orienta
A tomar decisões com minha capacidade
Minhas forças somadas aos outros que me rodeiam
Subjetiva, objetiva, sensível e vigorosa.
O estádio onde tudo se desenrola
É o planeta Terra, nosso palco comum.
Com gramados mal cuidados,
Com estruturas insustentáveis.
O juiz e seus auxiliares são as leis,
Que assumem normas que nos regulam
Determinam os limites de nossos comportamentos.
Nesse território, palco, gramado,
Talvez marcaremos alguns gols
Com eles conquistaremos a vitória
Mas a derrota nos persegue intrépida,
Em segundos de distração tudo pode acontecer
O que importa é estabelecer um jogo bem jogado,
Planejado, empenhado, vivido, gentil e solidário,
Tanto nas assistências, quanto na hora de marcar.
Talvez até tenhamos uma prorrogação
Mas que ela seja sem sofrimento,
Apenas para celebrar os minutos finais
E poder com a torcida dos homens e dos anjos
Que com seus gritos, críticas e emoção
Nos impulsionam ao amanhã
E jogamos com toda disposição.
E ao sair de campo com a satisfação de missão
cumprida,
De que ganhar ou perder nada importa
O que importa é viver
*Paulo Bassani
Poema Um tempo* Houve um tempo Em que podia esperar Hoje já não espero mais. Houve um tempo Em que lamentava pela ausência Hoje...