TESTE POP

terça-feira, 20 de setembro de 2022


 

Desafios intelectuais de nosso tempo*
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O intelectual no século passado se colocava a vanguarda dos movimentos sociais, hoje deve se colocar na retaguarda dos mesmos. Exercer uma espécie de termômetro para sentir a temperatura que emerge do cotidiano organizado em suas mais diferentes manifestações. Observando e fazendo as leituras de realidade que estão, embrionariamente, sendo costuradas a todo o momento. Pois tenta estabelecer estas aproximações para que possa corresponder a uma ideia de realidade e seu desafio é o fato de sempre tentar fixar o que se move, Cândido Grzybowski afirma “Esta é a sina de quem pesquisa: fixar com maior sentido possível o que se move”. E isso é sempre complexo.
Como hoje estamos contaminados de "tecnolatria" e "mercolatria". Os indivíduos de nosso tempo facilmente e, de forma natural, se deixam levar pelas tecnologias que controlam nosso tempo e, pelo mercado que definem o sentido de vida, ou seja, esses dois aspectos associados determinam tudo no viver de um tipo de mundo imperante, sentem e vivenciam a condição humana que se juntam às redes sociais. Estas nos colocam o entretenimento e mercado como única forma de ver e sentir o mundo. Com isso negamos a cultura, o grau mais elevado de formação de nossa consciência e de nosso espírito, como algo abnegado.
Com o tempo todos nós estaremos em contato com a "imbecialidade" que nos atormenta, e os imbecis são de fácil sugestionabilidade. Ortega y Gasset enfatizava “O que diferencia os homens e os imbecis é o espírito”. Este espírito crítico pouco cultivado em nosso tempo, que nos reduz em pessoas, sem um pensar crítico de ouvir, de falar, de refletir, as formas de ser e sentir o mundo.
Isto nos conduz a uma carga egoística sem precedentes, ou também como se referia Gerd Bornheim, que somos hoje muito mais que egoístas, somos egotistas, seres reduzidos a nós mesmos, a manifestação das redes sociais, com seu self, hoje determinantes enaltecem essa sensação.
E nessa esteira que o intelectual necessita desenvolver uma capacidade da clarividência, que nada mais é senão a capacidade de ler o presente e o futuro, e visualizar o amanhã, que ainda não existe. Mas que pela forma como os construtos do pensar e olhar as realidades carregam uma preocupação muito grande. Essa capacidade precisa se traduzir de forma científica, pela leitura e pelo pensar, pela atenção no movimento das peças nesse grande tabuleiro de realidade nesta alta modernidade.
Nos movimentos sociais, pró sociedade humana justa e democrática, como vidas negras importam, preservação da natureza, direitos humanos e sociais, e hoje todas as preocupações para enfrentamento da pandemia da Covid-19 que parece não ter fim, sendo que os que mais sofrem são os desempregados, os trabalhadores informais e todas aqueles que não foram incorporados nas benesses do capital. Assim os intelectuais neles envolvidos, concentram-se na construção crítica e nas transformações desse conhecimento que está emergindo. Isso, em geral, ajuda o movimento a avançar no conhecimento e a leitura de possíveis alcances nas sociedades em transformações.
A presença dos intelectuais, que conduzidos pela capacidade filosófica ou científica está repleta de ambiguidades. Por um lado não há como concorrer com as redes sociais e a enormidade de imbecis que a conduzem, em sua maior densidade. Por outro que cada vez mais surgem poucos que se dedicam ao conhecimento produzido de forma séria, crítica e transformadora.
Assim não pode o intelectual entrar numa seara de mera informação não contemplada pela análise necessária, sendo que esta exige tempo e disciplina do pensar, mas o mundo que vivemos não espera, não aguarda e aí os espaços de vulgarização tendem a dominar falatório explicativo, a inteligência, por outro lado, que vai além da razão moderna, deve se moldar na imaginação e na criatividade necessárias. E como elas são necessárias em nosso tempo!

*Paulo Bassani é sociólogo, escritor e professor universitário
Folha de Londrina 30/07/2020 – Espaço Aberto,p.02 - Londrina - PR


 


 


 


 


XVI - Simpósio Nacional de Iniciação Científica - UNIFIL
19 de outubro de 2022 - Londrina - Paraná
Participarei da Mesa Redonda:
"O papel da extensão na formação acadêmica"
14 às 15 hs


 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022



Grande e bela homenagem ao amigo João das Águas neste domingo de sol no Lago Igapó I em londrina -PR. Seu legado jamais será esquecido. Remar e navegar pelas águas da vida.

Foram lidos dois de meus escritos que realizei em homenagem e lembrança do João.
I- REMAR É PRECISO (lido por Luiz Figueira) e II- SEMEADOR DE UTOPIAS (lido por mim)
Um momento de muita emoção !




 

Remar é preciso*

 

Com quantas águas se faz um João!

Não um João qualquer, um João das Águas.

Que conhecia todas as águas,

Doces e salgadas,

Límpidas e contaminadas.

Águas de rios,

Águas de lagos,

Águas de mares.

Remando percorreu corredeiras,

Percorreu córregos,

Até então desconhecidos.

Percorreu pelas águas

Denunciando a contaminação

Pela estupidez humana,

Lixo e todo tipo de poluição

Visível e invisível.

E chorava com suas lágrimas

Como querendo despoluir

Para que voltassem ao seu estado de origem.

Quantas águas percorridas

Com barcos, canoas, caiaques

E com seu barco fruto de sua criatividade.

Quantas noites, quantos serenos

E quantas luas e estrelas entre

As remadas e os sonhos.

Hoje não há mais João por essas águas,

Foi remar em outras águas.

Criar outros barcos,  crie dezenas deles,

Pois necessitamos de novas embarcações para

Navegar por águas desconhecidas,

E como são desconhecidas as águas que percorremos

E esperamos que você, como sempre,

Aponte-nos os caminhos, as trilhas.

Em direção as origens,

Das águas e de nossas vidas.

Navegue rumo ao infinito,

Pela massa escura, pelo éter

Desviando de cometas e asteróides

Sabemos que cruzará tranqüilo pelas nebulosas

Com sua habilidade de remar.

Entre galáxias, estrelas e planetas,

Quantas águas para conhecer,

Para preservar, para navegar.

Ao teu lado rema

A mão divina te orientando

Que o criador te receba para novos desafios

O de remar rumo ao infinito do universo.

 *Paulo Bassani Sociólogo, Professor Universitário, Escritor e amigo de João.

 Poema Um tempo* Houve um tempo Em que podia esperar Hoje já não espero mais. Houve um tempo Em que lamentava pela ausência Hoje...