ARTIGO
O clima como espelho civilizatório*
Destaco, neste texto, algumas questões e preocupações que conhecemos hoje, e que são problemas fundamentais de nosso tempo:
1. Existe um aquecimento planetário, estamos vivendo mudanças climáticas em curso que nos leva a um momento crítico de tomar decisões;
2. Essas mudanças climáticas são causadas pela ação humana, dominada pela lógica do capital. Pela forma de extrair, produzir e consumir;
3. Esse é um tema central, uma preocupação científica, cultural, ética de nossa geração, dos seres humanos que vivem hoje. Não podemos mais voltar ao passado, cabe agora, verificar os erros cometidos e estabelecer acertos. O que podemos é acertar daqui para frente.
4. Há um conhecimento científico acumulado ao longo das últimas três décadas que nos possibilita tomar um novo caminho. Do que se sabe, do que não sabemos e do que devemos saber e fazer para que haja continuidade da vida neste planeta, tanto de humanos quanto da biodiversidade planetária;
5. Tudo isso para que se garantam as condições de habitabilidade;
6. Estamos empenhados nessa “pró-cura”, procura de alternativas que possam frear e reverter esse processo impactante dos modelos insustentáveis de desenvolvimento;
7. Para tanto acreditamos na ciência, na reflexão crítica e ética formando eco cidadãos, comprometida com a vida, como meio para encontrar possíveis caminhos;
8. Não há sombras vindas do norte que possam nos assombrar.
Podemos caracterizar essa passagem degradante e impactante, como chama a atenção à segunda lei da termodinâmica que se refere à lei da entropização do mundo, onde salienta que toda transformação energética de matéria prima em mercadorias gera calor. E mesmo que pequena parte pode ser aproveitada, grande parte é dissipada na atmosfera, terrestre, gerando ainda mais calor. E isso associado à emissão dos gases causadores do efeito estufa nos coloca diante de uma situação crítica.
A questão ambiental levanta duas questões: A primeira que nos leva a pensar, numa extensão temporal longa. Entender que a ciência do clima não se resolve em dias e tão pouco em anos. É preciso planejar, programar, educar por 10, 20, 30 anos. E terá que ser enfrentada, pelo limites planetários e pela saturação das águas, do oxigênio e das terras. E assim recuperar e preservar todo patrimônio da natureza. A segunda, que não podemos somente pensar e agir em nosso, local, região ou país, trata-se de uma questão mundial. Sabemos cientificamente que o clima é definido pelas florestas e pelos oceanos, numa proporção de cerca de 25% para as florestas e 75 % os oceanos. Lembrando que no fundo dos oceanos há um acumulo gigantesco de gás carbônico e no permafrost uma quantidade enorme de gás metano.
Cabe nessa compreensão, realizar uma inversão nesse processo, ou seja, criar uma negentropia, que é justamente, a diminuição da geração de calor e a contenção da emissão dos gases dos combustíveis fósseis. Isso implica numa mudança em nossa relação de extração, transformação e consumo. Para criar e estimular uma cultura sustentável forte que possa se apresentar como uma alternativa de um modo de pensar e de viver implica adentrarmos em seis questões básicas:
1. Desconstruir as propostas de individualidade que fecham para os diálogos da cooperação;
2. Acabar com ideia de não ter limites, tudo há limites humana e planetária;
3. Pensar na Casa Comum como moradores, habitantes diversos, de um planeta único;
4. Estimular o reuso, economia criativa circular, estimular a reciclagem;
5. Ampliar os diálogos de forma horizontal, para que o maior número de pessoas possam participar;
6. Estimular a empatia, o respeito, a outricidade e a tolerância.
Esse alerta é um demonstrativo de uma intenção de ingresso numa era da sustentabilidade. A utopia dessas possibilidades é o que nos alimenta através dos estudos e a reflexão acompanhado por práticas decorrentes. E assim buscar possíveis trilhas a percorrer para fugir deste quadro atrofiante, impactante e, ir ao encontro de uma situação adequada, onde a vida em sua totalidade possa se manifestar. E, ao olharmos para o espelho da história, nos reconhecermos como humanos.
*Paulo Bassani é cientista social, CRC/E-LETRO de Londrina

Nenhum comentário:
Postar um comentário